15 junho 2009

E antes das férias?

Em 2004, a propósito do referendo ao IVG, escrevi num artigo de opinião que enviei para um jornal do meu concelho: "... a liberalização total, é para mim um grande erro que levará à utilização do aborto como meio contraceptivo frequente, o que é no mínimo reprovável e repugnante"

Ora, depois de aprovada a nova lei da IVG, e passados uns meses sobre a sua aplicação, o resultado é este: "O número de IVG aumentou em Portugal desde o início do ano, um crescimento que pode estar associado à crise económica"

Qualquer dia, irão começar a fazer-se abortos em Abril-Maio para não se "perder" as férias por causa da criancinha. Ou poderão até aumentar os abortos em Outubro-Novembro para não se "perderem" as idas à neve ou ao Brasil em Dezembro.

Enfim... triste resultado.

9 comentários:

Pedro Veiga disse...

Penso que ninguém faz abortos por desporto ou como método anticoncepcional. Este seu texto comenta uma notícia que corresponde a um mau trabalho jornalístico. O aborto não diminui ou aumenta só por causa de uma lei. A lei actual pretende apenas corrigir um problema da nossa sociedade: o aborto clandestino. Este sim, é uma chaga que tem que deixar de existir numa sociedade moderna. Antes de se poder fazer a IVG sem ser de modo clandestino nada se sabia acerca do número de interrupções feitas. Agora, com esta lei, começa a ser possível saber o que se passa acerca deste problema de saúde pública. Muito provavelmente este aumento do número de abortos corresponderá justamente à diminuição do número de abortos clandestinos feitos no "vão de escada". A notícia, tal como está escrita pode levar a falsas interpretações! Não é por ter uma lei restritiva que o número de abortos diminuirá, não é com a punição que se diminui este problema de saúde pública, antes pelo contrário. A nova lei só veio corrigir um erro legislativo e permitir que diminua o mal do aborto clandestino. Isto nada tem que ver com a moral e os costumes de uma sociedade. É sim um problema de saúde pública e nada mais! A notícia do público, tal como está escrita, revela um trabalho jornalístico sem um suporte de investigação adequado que relacione os números cruamente apresentados. É um jornalismo fácil, imediato e sem suporte que pode dar origem a interpretações erradas de um problema tão grave como é o da IVG.

Muad'Dib disse...

Obviamente que esse argumento é ridiculo.

psiubest disse...

Tomas a parte como um todo além de teres uma visão limitadíssima sobre a questão do IVG.

Falta de informação ou estás a ir como de costume a reboque do teu partido?

Lembra-te que cego é aquele que não quer ver!

Anónimo disse...

Resumindo: és um demagogo e um burro.

Luis Melo disse...

Caro Pedro Veiga,

Podemos continuar a enganar-nos a nós próprios com os "números", ou podemos ver a realidade. A notícia do público não é mau jornalismo, é muito bom. Reproduz o que disse o director do Hospital.

Caro Muhad,

É tão ridículo como o do director do Hospital? Ele que está presente e vê o quê e o porquê das IVGs que ocorrem através daquele Hospital?

Caro psiubest,

Mais uma vez te digo, e já devias saber pq me conheces bem, eu penso por mim e não vejo a política como o futebol.

Mais uma vez pergunto: A minha visão limitada é a mesma do director do Hospital?

Caro Anónimo,

O anonimato e o insulto são as maiores armas dos cobardes que não têm argumentos para uma discussão.

Pedro Veiga disse...

O director diz o diz sem saber da realidade anterior, por exemplo, o que se passava com o aborto clandestino nos 30 anos antes da lei actualmente em vigor! Desconhecemos a extensão do aborto clandestino que existia antes desta lei! E mais: era necessário saber quantas mulheres foram afectadas na sua saúde ao terem de fazer aborto em condições de risco provocando infecções e outras complicações! Saber os custos económicos e sociais dessas intervenções clandestinas tantas vezes desastrosas!
Não podemos tirar conclusões só com números soltos sem um suporte de investigação sobre este grave problema da sociedade. E volto a repetir: o aborto não diminui ou aumenta por causa de uma simples lei!
Não é com a punição que se resolve um problema de saúde pública!

Luis Melo disse...

Caro Pedro Veiga,

Acha que o director fala sem conhecimento de causa? seria irresponsável da parte dele. Não tenho nessa conta o director de um dos mais importantes hospitais do país.

Mais uma vez lhe digo, não nos enganemos com números. Olhemos a realidade.

Ninguém aqui disse que o aborto aumentava ou diminuia por causa da lei. Disse-se, isso sim, que as razões para abortar é que alteraram. Hoje em dia fazem-se abortos por "dá cá aquela palha" (pelo menos é o que parece).

Também ninguém aqui disse que defendia a punição de seja quem for.

Marta R disse...

Concordo com o que diz e subscrevo os seus argumentos. Conheço pessoas (?) que já fizeram 3 abortos...
Infelizmente esta é a natureza humana, por isso as leis não podem ser muito permisssivas.
Tive dois filhos no espaço de um a no e quatro meses. A responsabilidade foi minha, assumi, não fiz pagar a factura aos meus filhos que hoje estão aqui vivos e com saúde.
Cumprimentos
Marta R

Pedro Veiga disse...

Nem sempre o que parece é. A verdade é que o aborto clandestino é a verdadeira chaga da sociedade. Podemos ter uma lei severa que proíba um aborto em qualquer situação. O que é certo é que ele nunca deixará de existir: os ricos tratarão do assunto em clínicas privadas no estrangeiro, pagando o necessário; os pobres tratarão do assunto nas "clínicas do vão de escada" do bairro com as consequências bem conhecidas das equipas médicas.
A lei nunca favorecerá um aumento ou diminuição do número de abortos. A lei apenas pretende responder a um problema de saúde pública e nada mais do que isto.